Carta aos Desinteressados

Em nome da lucidez, meter o louco.

Hoje eu tô sensível. Incomodada com tantas opiniões não solicitadas. Fico pistola em ver como pessoas aleatórias e muitas vezes desconhecidas conseguem ter tanta influência sobre mim.

Quero jogar na roda umas ideias que tenho sobre isso e vocês podem interagir comigo, apesar dos monólogos. Me consolem (ou me avisem se eu estiver viajando hahaha).

E o plano de fundo musical da conversa solitária de hoje é:

Não sei quais são as cobranças e críticas que vocês recebem diariamente, mas aqui rola muito: “se você tivesse o hábito de fazer faxina em casa você nem precisaria de academia” / “Amanhã é domingo, você não vai acordar cedo pra comer pastel? Se eu pudesse não perderia” / “Só fica lendo livro, não sabe fazer nada” / “Internet não dá camisa pra ninguém” / “Porque você não faz assim igual todo mundo?”

E acho incrível que desde indiretas mínimas até sermões com a família na mesa já me deixam pilhada a ponto de mudar total o meu rumo. Inicialmente eu fico triste e tento argumentar, mas depois volto e refaço tudo – levando em conta esses comentários. Sofro até com a linguagem não-verbal de um olhar torto no metrô que eu passo o resto do dia tentando decifrar.

Sei que também depende de como interpretar. E a interpretação depende do estado emocional, de como vai a relação “eu-comigo”, se é que usam esse termo. Mas não é todo dia que se alguém falar “caramba você engordou pacas” você de bate-pronto vai dizer “mas não foi comendo na sua casa”.

O ponto onde eu quero chegar é que as pessoas acham que sabem mais de você do que você mesmo. É isso que a letra da música ressalta. Querem determinar o seu futuro, refutar suas preferências. Se prefere amarelo, alguém diz que tá mais para azul. Se você gosta de flores, “hmmm mas não tem cara de quem gosta”. Se ouve os clássicos, você é velho e brega… “Só ouve gente morta.” E se você tá por dentro dos hits, é modinha. Na moral? Perdão do linguajar, mas vai-te à merda! Aceita que as pessoas são diferentes de você, que o mundo não gira ao seu redor e que ninguém te perguntou nada.

Me recordo de uma professora que sempre me questionou de quando eu abaixava a cabeça na carteira e não olhava para ela nas explicações (A mesma professora que parava a aula para dizer a alguém um recado desnecessário do coração dela). Ela não sabia há quantas noites eu estava sem dormir porque minha medicação tinha mudado de novo. Ela dizia: “Se você está me ouvindo, demonstre na sua postura então”.

E daí não sabem quantas colheres de Nescau você coloca no leite e se acham no direito de falar. Não pagam suas contas e questionam o que você faz com o seu dinheiro. É tiro pro alto e gritar independência ou morte! Poucas ideias!

2 comentários

  1. É a autonomia que o mundo quer que vc tenha! Viva e goze! Ai vc tem vive e goza! Pronto! Ela não é mais sua,aliás ela é e só é aceita tudo isso pelo outro! Pelas opiniões que outro diz! Questiona e poem e nos poem a todas essas rodas de opiniões que mtas vezes não pedimos! Vivemos mto melhor e mais liberto quando eu penso ” me torno o que faço do que penso de mim! É minha autonomia ” quando é ação do outro sobre mim,é o outro não sou eu! Outro não é minha autonomia! …. Tudo é um costume bárbaro que nos atravessa diariamente! Essa comunicação não verbal que tentamos decifrar, esse sermão familiar a mesa,quanto diariamente estamos brega ou tentamos dar energia a entender atualidade! Quanto bárbaro é beijar numa terça feira, correr contra tempo programado para porta fechar e dar mais um beijo! E sentir deusa! Nesse instante o tempo foi vencido. De tudo em nome da lucidez é meter o louco e nos transportar para lugares bárbaros em nós! Meter o louco para manter lucidez são opostos maravilhosos que podemos fazer por nos!

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    1. Se permitir fazer o que te faz feliz sem ter que pedir aprovação ou permissão de ninguém! Somos o que fazemos longe dos olhares das pessoas. Somos o que pensamos e ninguém pode determinar nada sobre um corpo alheio, uma história alheia que ele só vê a superfície. A ponta do iceberg rsrs.

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